terça-feira, 31 de agosto de 2021

Programa do Curso História da Educação II

Programa

Agosto

Dia 18 (Aula - 1) – Apresentação e construção coletiva do curso

a) Apresentação da professora;

b) Apresentação dos alunos e das alunas;

c) Construção do curso a partir da identidade dos alunos(as) individual e coletiva.

Dia 25 (Aula - 2) – Quem somos nós? O que queremos estudar?

a) Apresentação e discussão da sistematização de quem são os estudantes da turma 

do curso ( idade, gênero, étnico-racial e políticas educacionais que vivenciaram).

b) Solicitar aos alunos e as alunas que levantem temas e questões que gostariam de estudar no curso. Este levantamento foi realizado individualmente, socializado para toda a turma e sistematizado pela professora;

c) Apresentação e discussão do documentário: A invenção da Infância.

O filme “A invenção da infância”, um curta-metragem dirigido por Liliana Sulzback, também responsável pelo roteiro e, ao lado de Mônica Schmiedt, pela produção executiva, recebeu 15 prêmios no Brasil e exterior.

Setembro

Dia 1 (Aula 3) – Apresentação do Programa do Curso

Objetivos do Curso:

  • Compreender a historicidade dos processos educativos e das práticas escolares no     Brasil;
  • Refletir sobre a construção histórica da escola moderna, em especial da escola básica  brasileira;
  • Ampliar o repertório dos futuros professores quanto à diversidade de instituições        escolares no  passado;
  • Reconhecer as especificidades da história da profissão docente no Brasil;
  • Compreender quem eram e quem são os sujeitos da educação brasileira, mulheres,  indígenas  e negros;
  • Contribuir com a formação do professor(a)/educador(a) capaz de refletir criticamente sobre a  educação em seu cotidiano e no contexto social e histórico mais amplo;
  • Problematizar, sob um prisma sócio histórico, a educação brasileira no tempo presente, tendo como  foco a escola pública em sua relação com as classes populares;
  • Identificar a História da Educação como campo de pesquisa.

a) Bibliografia Geral do curso:

1) HILSDORF, M.L. História da Educação Brasileira: leituras. São Paulo: Thomson, 2003.

2) FREITAS, Marcos Cézar de; BICCAS, Maurilane de S. História Social da Educação Brasileira (1926-1996). São Paulo: Cortez, 2009. (Biblioteca Básica da História da Educação Brasileira)

b) Metodologia do curso:

1) Trabalhos em grupos; aula expositiva dialogada; aulas sincrônicas e atividades assincrônicas; 

2) utilização de textos, vídeos, filmes e documentários;

c) Avaliação do curso: 

1) Entregar (3) ideias interessantes de textos, vídeos, filmes, documentários que estão no programa de curso. Para cada uma das aulas escolha uma indicação da bibliografia. Enviar para o email: maurilane@hotmail.com

2) Trabalho final: escolher um filme indicado e  elaborar uma reflexão utilizando a bibliografia do curso.

Unidade I -  Sujeitos da Educação: mulheres, negros e indígenas 

Tema 1 – Formação do povo e o Direito a educação

a) BAIA HORTA, José Silvério. Direito à Educação e Obrigatoriedade Escolar. In: Cadernos de Pesquisa. Nº 104, 1998.

https://www.dropbox.com/s/1ev7m8mmyri2v1s/baia_horta_direito_obrigatoriedade.pdf?dl=0

b) MATTOS, Ilmar. A formação do povo. In: O tempo Saquarema. São Paulo: Hucitec, 1987.

https://www.dropbox.com/s/eopox7ykpyock52/O%20Tempo%20Saquarema-%20Ilmar%20Rohloff%20de%20Mattos.pdf?dl=0

c) FREITAS, Marcos Cezar & BICCAS, Maurilane de Souza. Introdução. In: História Social da Educação no Brasil (1926-1996). São Paulo: Cortez, 2009.

https://www.dropbox.com/s/v39w198m5mf7nxi/biccas_freitas_NEW.pdf?dl=0

d) O direito à educação no Brasil: histórico e impasses.

https://www.youtube.com/watch?v=TvHBY32vYuE&ab_channel=GEPPFOR

  • Atividade: Escolha um dos textos e elabore 3 ideias interessantes. (Atividade individual 1)

Dia 08 – (Aula 4) - Ano 100 com Paulo Freire - Semana da Pátria, de 07 a 10 de Setembro.

  • Escolher uma das mesas que vão acontecer nos dia 07 a 10 de setembro, as 19hs. As temáticas podem ser escolhidas de acordo com os interesses. O importante é que todas contemplaram Paulo Freire, no Brasil e no Mundo.
  • Atividade: Escolha uma das atividades assistidas no Seminário Internacional ano 100 com Paulo Freire e elabore 3 ideias interessantes. (Atividade individual 2)

Dia 15 (Aula - 5) - Tema 2 – Educação do indígena

Bibliografia básica:

a) HILSDORF, Maria Lúcia Spedo. Os jesuítas, catequese e colonização. In. _______. História da Educação Brasileira: Leituras. São Paulo: Pioneira Thompson Learning, 2003, p. 3-12.

https://www.dropbox.com/s/pdy1kr5uss2o9kf/HILSDORF_JESUITAS_NEW.pdf?dl=0

b) BITTENCOURT, Circe Maria Fernandes, SILVA, Adriane Costa da. Perspectivas históricas da Educação Indígena no Brasil. In. PRADO, Maria Ligia Coelho, VIDAL, Diana Gonçalves (Orgs.). Reflexões irreverentes; à margem dos 500 anos. São Paulo: Edusp, 2002, p. 63-81.

https://www.dropbox.com/s/byyqzslof5c3tdx/BITTENCOURT_SILVA_NEW.pdf?dl=0

  • Atividade: Escolha um dos textos e  elabore 3 ideias interessantes. (Atividade individual 3)

Dia 22 (Aula - 6) – Tema 3 - Educação do negro 

Bibliografia básica:

1) Discussão do texto: SILVA, Adriana Maria Paulo da. A escola de Pretextato dos Passos e Silva: questões a respeito das práticas de escolarização no mundo escravista. In: Revista Brasileira de História da Educação. N° 4, jul/dez 2002.

https://www.dropbox.com/s/o1s2i4mhkusez2e/pretextato_adriana_paulo.pdf?dl=0

2) BARROS, Surya Aaronovich Pombo. Discutindo a escolarização da população negra em São Paulo entre o final do século XIX e início do século XX. Brasília: MEC, 2005.

https://www.dropbox.com/s/hwp083kh4tt8nw9/EDUCACAO_NEGRO_UNESCO.pdf?dl=0

3) VEIGA, Cynthia Greive. A invisibilidade dos sujeitos da escola na historiografia brasileira. História da  Educação. Anu. Vol.9. Ciudad Autonoma de Buenos Aires. Dic.2004. www.scielo.org.ar/scielo.php?pid=S2313-92772008000100007&script=sci_arttext

4) Documentário: Tempo e História - Luiz Gama

https://www.youtube.com/watch?v=oWMIsr2Tckk&ab_channel=TempoHist%C3%B3ria

  • Atividade: Escolha um dos textos e ou documentário.  Elabore 3 ideias interessantes. (Atividade individual 4)

Dia 29 (Aula – 7) – Semana da Educação.

  • Atividade: Escolha o texto e o vídeo.  Elabore 3 ideias interessantes. (Atividade individual 5)

Outubro

Dia 06 (Aula 8) – Tema 4 - Mulheres e a educação.

a) VILLELA, Heloísa. O mestre escola e a professora. In: LOPES, Eliane Marta Teixeira; FARIA FILHO, Luciano Mendes; VEIGA, Cynthia Greive (Orgs.). 500 anos de Educação no Brasil. Belo Horizonte: Editora Autêntica, 2000.

https://www.dropbox.com/s/9386hn994kbf1fd/O%20mestre-escola%20e%20a%20professora.pdf?dl=0

b) TANURI, Leonor Maria. História da formação de professores. Revista Brasileira de Educação. Mai/Jun/Jul/Ago 2000 Nº 14

https://www.scielo.br/j/rbedu/a/HsQ3sYP3nM8mSGSqVy8zLgS/?lang=pt&format=pdf

c) Histórias de professoras negras: 

NUNES, Míghian Danae Ferreira. Histórias de ébano: professoras negras de educação infantil da cidade de São Paulo. Dissertação de Mestrado. USP, 2012. 

https://www.dropbox.com/s/b1mn4sn26x7rnsq/MighianDanaeFerreiraNunes.pdf?dl=0

d) Vídeo: Notícias Univesp - Mulheres Negras na Educação Infantil - Mighian Danae.

e) RAGO, Margareth. A colonização da mulher. In: Do cabaré ao lar. A utopia da cidade disciplinar e a resistência anarquista. Brasil, 1890-1930. São Paulo, Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2014.

  • Atividade: Escolha entre os textos e o vídeo.  Elabore 3 ideias interessantes. (Atividade individual 6)

Dia 13 – (Aula 9) - Unidade II – A história da escolarização no brasil

A história da escolarização no Brasil

Temáticas: história da escola pública brasileira (colônia e império; escola nova; reformas educacionais dos anos de 1920 e 1930; educação no Estado Novo – reforma Capanema; a educação desenvolvimentista e a LDB 1961; movimento de educação popular e Paulo Freire; educação na ditadura militar e a Lei 5692/71; redemocratização do Brasil: Constituição de 1988, a LDB 1996 e o governo do FHC;  reforma educacional no governo dos governos Lula) 

 Tema 1 – Educação da Colônia e no Império

Convidada - Profa. Ana Luiza Jesus da Costa - FEUSP

Bibliografia Básica:

a) FARIA FILHO, Luciano Mendes de; VIDAL, Gonçalves Diana. Os tempos e os espaços escolares no processo de institucionalização da escola primária no Brasil. Revista Brasileira de Educação, Mai/Jun/Jul/Ago 2000 Nº 14. http://www.scielo.br/pdf/rbedu/n14/n14a03

b) SCHUELER, Alessandra Frota Martinez; MELLO, Ana Maria Bandeira de Mello. Educação escolar na primeira república: memória, história e perspectivas de pesquisa. Dossiê; Tempo 13 (26), 2009.

c) Jesuítas - A Univesp TV foi a Portugal investigar o caminho feito pelos jesuítas que vieram para as novas terras da coroa portuguesa logo no início da colonização. Com eles começou a educação no Brasil. Mas foi mesmo isso que eles vieram fazer aqui? Como eram os famosos colégios que os jesuítas fundaram por toda colônia? Os índios frequentavam esses colégios? - https://www.youtube.com/watch?v=ic28PaXiM14

d) Filme: Desmundo

É um filme brasileiro de 2003, dirigido por Alain Fresnot. O roteiro é de Sabina Anzuategui, Anna Muylaert e do próprio diretor do filme e foi construído a partir da adaptação do livro Desmundo, da autora Ana Miranda. A direção de fotografia é de Pedro Farkas, a trilha sonora, de John Neschiling, a edição e distribuição é da Columbia Pictures do Brasil.

Todo o elenco teve que aprender o português arcaico, tanto que o filme é apresentado com legendas para ajudar na compreensão.

É uma viagem no tempo, voltamos ao Brasil do século XVI. Portanto, tudo acontece nas primeiras décadas da colonização brasileira, momento em que a Igreja solicita a Portugal que envie a colônia lotes de órfãs brancas dispostas a se casar com os colonos. A intenção é aplacar os hormônios dos portugueses, impedindo assim que eles se miscigenem com as índias do lugar. É neste contexto que a narrativa se constroi com força na personagem de Orisbela ( Simone Spoladore), uma jovem órfã portuguesa que se rebela contra o casamento que lhe foi arranjado. Passado o primeiro momento de rebeldia - uma cusparada no rosto do pretendente - resta a Orisbela apenas duas tristes opções: morrer sozinha numa terra selvagem, ou casar-se com qualquer um. Ela opta pelo segundo caminho. E cabe a Francisco (Osmar Prado) vivenciar este "qualquer um". De poucas palavras, poucos amigos e longe de qualquer refinamento, Francisco é rude, mal consegue se relacionar com seus iguais. Sua relação com Orisbela será de posse e dela com ele será a eterna luta pela liberdade. Desse casal tão improvável nascerá um país mais improvável ainda. Um Brasil bruto, literalmente mal educado. Bastardo. E toda esta saga sobre o nascimento de uma nação ao sul do Equador é contada com maestria pelo diretor Alain Fresnot.

  • Atividade: Escolha o texto, o vídeo e ou o filme.  Elabore 3 ideias interessantes. (Atividade individual 7)

Dia 20 (Aula 10) –  Tema 2 – Educação na República: A escola Nova e as reformas educacionais dos anos de 1920-1930

Bibliografia Básica

a) CARVALHO, Marta Maria Chagas. Notas para reavaliação do movimento educacional brasileiro (1920-1930). Cadernos de Pesquisa Fundação Carlos Chagas, n. 66, 1988. http://publicacoes.fcc.org.br/ojs/index.php/cp/article/view/1201/1207

b) Vídeo: Lourenço Filho, Anísio Teixeira e Fernando de Azevedo Por Diana Vidal. https://www.youtube.com/watch?time_continue=1578&v=Up6x4qO0qdI&feature=emb_title

  • Atividade: Escolha o texto e o vídeo.  Elabore 3 ideias interessantes. (Atividade individual 8)

Dia 27 (Aula 11) – Tema 3 - Educação no Estado Novo e a Reforma Capanema

Bibliografia básica:

a) FILHO, João Cardoso Palma. A Educação Brasileira no Período de 1930 a 1960: a Era Vargas. UNIVESP-SP

https://acervodigital.unesp.br/bitstream/123456789/107/3/01d06t05.pdf

b) BOMENY, Helena  M. B. Três decretos e um ministério: a propósito da educação no Estado Novo . In.: PANDOLFI, Dulce (Org.) Repensando o Estado Novo. Rio de Janeiro: Ed. Fundação Getúlio Vargas, 1999. P-137-166. http://cpdoc.fgv.br/producao_intelectual/arq/142.pdf#page=129

c) HORTA, José Silvério Baia. Gustavo Capanema. Recife: Fundação Joaquim Nabuco, Editora Massangana, 2010. http://www.dominiopublico.gov.br/download/texto/me4702.pdf

d) Vídeo: A Educação na Era Vargas: rupturas e continuidades

https://www.youtube.com/watch?v=x-_cF6IHvAA

  • Atividade: Escolha o texto e o vídeo.  Elabore 3 ideias interessantes. (Atividade individual 9)

Novembro

Dia 03 (Aula 12) – Tema 4 – Educação Desenvolvimentista e a LDB 1961

a) XAVIER, Libânia Nacif. Oscilações do público e do privado na história da educação brasileira. Revista Brasileira de História da Educação, jan/jul 2003, n. 5, pp. 233-251.

Disponível em <www.rbhe.sbhe.org.br/index.php/rbhe/article/download/234/241>

b) LOMBARDI, José Claudinei. Educação e Nacional Desenvolvimentismo: articulações e confrontos entre concepções e pedagogias antagônicas (1946-1964). Revista HISTEDBR - On-line, Campinas, nº 67, p.23-38, mar 2016

https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/histedbr/article/view/8645955/13282

c) MONTALVÃO, Sérgio. LDB de 1961: apontamentos para uma história política da educação. Revista Mosaico – Volume 2 – Número 3 – 2010.

file:///Users/maurilane/Downloads/62786-134930-3-PB.pdf

Documentários:

1) A Educação Brasileira no Período Nacional-Desenvolvimentista (1945-1964)

https://www.youtube.com/watch?v=D67ROGP07zE&t=917s

2) 1964: Reportagem Especial | O governo João Goulart

https://www.youtube.com/watch?v=NYytaJ-yOQQ

  • Atividade: Escolha um dos textos e ou documentário.  Elabore 3 ideias interessantes. (Atividade individual 10)

Dia 10 (Aula 13) – Tema 5 - Educação na ditadura militar Lei 5692/71

Bibliografia básica:

a) BOUTIN, Aldamira Catarina Brito Delabona; CAMARGO, Carla Roseane Sales. A Educação na ditadura militar e as estratégias reformistas em favor do capital. EDUCERE, outubro de 2015. https://educere.bruc.com.br/arquivo/pdf2015/18721_8156.pdf

b) Documentário: 1964 O Golpe – é a primeira reportagem da série 1964 e trata do golpe civil militar propriamente dito com a ajuda de pesquisadores Jorge Ferreira (UFF), Carlos Fico (UFRJ), Luiz Moniz Bandeira (Universidade de Heidelberg) e João Roberto Martins Filho (UFSCAR), a UNIVESP TV conta como foram os meses finais do governo João Goulart (1961-1964), culminando na deposição que levou o país a uma ditadura de 21 anos. Qual Brasil coube Goulart governar? Quais foram os fatos que levaram ao golpe? Por que o presidente não resistiu? Essas são as perguntas que a reportagem tenta responder.

https://www.youtube.com/watch?v=EVwlepPYp_o

c) 1964: Reportagem Especial - O governo Costa e Silva e o AI5

    https://www.youtube.com/watch?v=pMgTjvBDi74&ab_channel=UNIVESP

  • Atividade: Escolha entre o texto e o documentário.  Elabore 3 ideias interessantes. (Atividade individual 11)

Dia 17 (Aula 14) – Tema 6 – Redemocratização do Brasil – Constituição de 1988, a LDB 1996 e o governo do FHC

Bibliografia básica:

a)  BRZEZINSKI, Iria. Tramitação e desdobramentos da LDB/1996: embates entre projetos antagônicos de sociedade e de educação. Trabalho, Educação e Saúde. vol.8, no.2. Rio de Janeiro. July/Oct. 2010.

https://www.scielo.br/scielo.php?pid=S1981-77462010000200002&script=sci_arttext

b) Vídeo -  Entrevista com Carlos Jamil Cury da PUC/MG, sobre a LDB, em 5 de fev. 2016. UNIVESP.

https://www.youtube.com/watch?v=IJYyJhPPfbk

Atividade: Escolha entre o texto e ou o vídeo.  Elabore 3 ideias interessantes. (Atividade individual 12)

Dia 24 (Aula 15) - Tema 7 - Reformas Educacionais no Governo Lula: movimentos sociais e os novos sujeitos da educação

Bibliografia:

a) OLIVEIRA, Dalila Andrade. As políticas educacionais no governo Lula: rupturas e permanências. RBPAE – v.25, n.2, p. 197-209, mai./ago. 2009.

b) MOTTA, Thalita Cunha; AZEVEDO, Janete Maria Lins. Uma análise de conjuntura dos governos FHC e Lula e suas políticas Educacionais. https://www.fundaj.gov.br/images/stories/epepe/IV_EPEPE/t5/C5-20.pdf

c) FRIGOTTO, Gaudêncio; Ciavatta, MARIA; RAMOS, Marise. A Politica de Educação Profissional no Governo Lula: um percurso histórico convertido. Educação & Sociedade, Campinas, vol. 26, n. 92, p. 1087-1113, Especial - Out. 2005

https://www.scielo.br/scielo.php?pid=s0101-73302005000300017&script=sci_arttext

d) Documentário: Os 13 anos do Governo do PT, produzido pela TV Folha em 13 de dez. 2015.

Em 13 anos no poder, Partido dos Trabalhadores patrocinou distribuição de renda histórica e desajuste recorde nas contas do país; renda dos mais pobres aumentou 129% e dos mais ricos, 32%. Só 24% aprovam a gestão petista.

https://www.youtube.com/watch?v=l53vEk0Qt6U

  • Atividade: Escolha o texto e o vídeo.  Elabore 3 ideias interessantes. (Atividade individual 13)
  • Entrega do Trabalho Final
  • Avaliação 


quarta-feira, 25 de agosto de 2021

História Social da Criança e da Família

 


Ariès, Philippe — História Social da criança e da família. Tradução de Dora Flaksman. 2a ed. Rio de Janeiro, Zahar, 1981.


Lana Lage da Gama Lima

Universidade Federal Fluminense

L'Enfant et la vie familiale sous l' Ancien Régime foi apresentado ao leitor brasileiro através da tradução de uma versão abreviada, publicada pelas Editions du Seuil, de Paris, em 1975. Nessa edição, a segunda parte do livro, intitulada A vida escolástica, foi praticamente eliminada. Dos oito capítulos que compõem o original, um deles — Do externato ao internato — foi totalmente suprimido, enquanto os outros foram reduzidos de forma drástica (o capítulo 6 — As "pequenas escolas" — passou a ter exatamente 14 linhas), mantendo-se intacto o texto da conclusão geral.

Esse corte, cuja lógica não conseguimos perceber, prejudicou o equilíbrio da obra, privando o leitor de acompanhar, através da criação e das transformações do mundo escolar, o surgimento e consolidação do sentimento de infância. 

Desse modo, o livro se apresenta desfalcado de um dos dois campos de pesquisa e reflexão fundamentais para o desenvolvimento da questão que propõe: como e quando foi criada a idéia moderna de infância. O outro campo — o mundo familiar — é tratado na terceira parte do livro, felizmente reproduzido de forma integral.

Na primeira parte, o autor reflete sobre a consciência que cada época tem das "idades da vida", concluindo que a descoberta da infância se inicia no século XIII e sua evolução pode ser acompanhada, através da iconografia, entre os séculos XIV e XVI, mas que é durante o século XVII que os sinais de seu desenvolvimento se tornam mais abundantes e mais significativos.

Philippe Ariès, apesar de considerar-se historiador de fim de semana, mantendo sua ocupação como especialista em técnicas de informação sobre agricultura tropical, tornou-se, sem a menor sombra de dúvida, um nome fundamental na história social francesa, particularmente entre os que se  dedicam ao estudo das mentalidades. Temas como a infância, a educação, o casamento, o amor e a morte têm merecido sua atenção, e dado origem a trabalhos que conjugam uma profunda erudição com uma inteligência brilhante, como L'Homme devant la mort, editado na França em 1977 e traduzido no Brasil, pela Francisco Alves, em 1981/82.

No prefácio à reedição francesa da História Social da criança e da família, Ariès tece algumas observações acerca de sua obra e da repercussão que teve nos meios acadêmicos. De início, destaca as duas teses centrais que presidiram seu trabalho. Em primeiro lugar, uma interpretação das sociedades tradicionais: nelas, a infância se reduzia ao seu period mais frágil, mal adquiria algum desembaraço físico, a criança se misturava aos adultos. Sua socialização se fazia fora da família, que tinha como missão a conservação dos bens, a prática comum de um ofício, a ajuda mútua quotidiana e a proteção da vida, sem que isso implicasse uma relação afetiva entre seus membros. As trocas de afeto e a socialização se davam num meio muito mais amplo, através da vida comunitária com suas festas, jogos e cerimônias coletivas. 

A segunda tese pretende mostrar o novo lugar assumido pela criança nas sociedades modernas. Essa mudança é acompanhada, como já observamos, através do exame de duas instituições: a escola e a família. Vemos, então, como os colégios são criados e pouco a pouco se tornam o meio de educação por excelência. A criança é separada dos adultos, numa espécie de quarentena, antes de ser solta no mundo. Essa mudança constitui uma das faces do movimento de moralização promovido pelos reformadores católicos e protestantes em fins do século XVII.

Por outro lado, a família torna-se lugar de afeição necessária, expressa sobretudo pela importância que se passou a atribuir à criança e à sua educação. No início do século XVIII, Ariès observa, na França, o recolhimento da família longe da vida coletiva, numa casa melhor preparada, por sua nova concepção arquitetônica, para a intimidade e a privatização. É interessante notar que o autor se refere sempre à família nuclear, contribuindo para a crítica do mito da família extensa, que, segundo ele, só teria existido em épocas e situações muito específicas.

Antes de examinarmos, de modo sucinto, as principais conclusões de Ariès em cada uma das partes de seu livro, gostaríamos de chamar a atenção para o que consideramos sua grande contribuição a nível da metodologia: a utilização fecunda das fontes iconográficas. História Social da criança e da família constitui uma verdadeira aula sobre a importância da imagem para o historiador e as formas de leitura desse tipo de fonte. Ariès estabelece cruzamentos extremamente eficazes entre esse material e os testemunhos escritos, entre os quais privilegia diários, cartas, memórias e outros relatos de caráter íntimo e pessoal. Esse trabalho de verdadeiro tecelão foi também realizado em seu estudo sobre a morte, já referido. 

O sentimento da infância é o título da primeira parte da obra, onde Ariès analisa a concepção das idades da vida expressa em Le Grand Propriétaire de Toutes les Choses, compilação latina do séc. XIII reeditada em francês em meados do séc. XVI, e nas ilustrações dos calendários, concluindo que a cada época corresponde uma periodização particular da vida humana. Em seguida, examina a evolução da representação pictórica da criança, desde os adultos miniaturizados da Idade Média, passando pela infância sacra e pelos putti, até chegar ao retrato do século XVII. 

Vemos, então, que apesar das condições demográficas terem se mantido mais ou menos estáveis entre os séculos XII e XVII, com persistência das altas taxas de mortalidade infantil, uma nova sensibilidade surgiu a partir desse último século em relação à criança, cuja perda passou a ser sentida de forma mais dolorosa.

O traje das crianças constitui um capítulo encantador, em que a diferenciação progressiva do vestir infantil é associada ao desenvolvimento do próprio sentimento da infância. Ariès observa que esse processo se dá em primeiro lugar entre as famílias nobres e burguesas e, de início, atinge apenas os meninos. As meninas ficarão por mais tempo à margem desse sinal de segregação que é o traje infantil, assim como permanecerão por longo período afastadas da escola, instituição segregadora por excelência.

Outro capítulo extremamente interessante é o que trata dos jogos e brincadeiras. Ariès acompanha, seguindo a linha geral do livro, a diferenciação progressiva dos jogos e brincadeiras infantis a partir das atividades de lazer que, a princípio, eram praticadas por toda a coletividade. Uma das fontes mais importantes para essa pesquisa foi o diário de Heroard, médico de Luiz XIII, sobre a infância do monarca.

A primeira parte do livro se encerra com uma apreciação das transformações verificadas no tocante à moralidade da criança. Progressivamente passa-se a poupar a criança de brincadeiras ou atitudes diretamente ligadas à sexualidade, prescrevendo-se uma nova moral que pode ser acompanhada através dos textos destinados à aprendizagem da leitura e da escrita. Uma noção essencial se impôs, no século XVII, abrindo campo para a aplicação efetiva dos conselhos dos moralistas: a da inocência infantil. Essa noção se refletiu também na iconografia e nas práticas religiosas infantis, especialmente com a instituição da primeira comunhão.

Ao final, Ariès conclui que existiram, a princípio, dois sentimentos de infância. Da falta de discernimento da particularidade infantil, característica da sociedade medieval, passou-se a um sentimento da infância associado à paparicação da criança que, por sua graça e ingenuidade, tornava-se fonte de distração e relaxamento para o adulto. Esse sentimento foi duramente criticado pelos moralistas que propunham outra concepção da infância. Concepção que acabou vencendo e se tornando a inspiradora de toda a educação até o século XX. "O apego à infância e à sua particularidade não se exprimia mais através da distração e da brincadeira, mas através do interesse psicológico e da preocupação moral".

O primeiro sentimento surgiu no meio familiar; o segundo proveio de eclesiásticos, homens da lei ou moralistas preocupados com a disciplina e a racionalidade dos costumes. Esse sentimento foi, aos poucos, contaminando também a vida familiar, e no século XVIII, um novo elemento veio se somar a ele: a preocupação com a higiene e a saúde física. Ao examinar a instituição escolar, o autor parte da observação da mistura absoluta de idades das escolas medievais para a análise de uma instituição nova: o colégio. Acompanha, então, a progressiva organização interna da vida colegial, com a separação das classes, das matérias e das faixas etárias e com a instauração de um regime disciplinar inspirado na vida monástica. Ariès mostra que a partir do século XV, e sobretudo nos séculos XVI e XVIII, o colégio iria dedicar-se essencialmente à educação e à formação da juventude. No fim do século XVIII, o ciclo escolar era bastante semelhante ao do século XIX, sendo a infância prolongada até o seu final. De início a população escolar coincidia muito menos do que hoje com o contorno das condições sociais. É a partir daquele século que é criado um sistema de ensino duplo: o liceu (ou secundário) para os burgueses e a escola (ou primário) para o povo. Há, portanto, sincronia entre a classe de idade moderna e a classe social: ambas nasceram no fim do século XVIII, com a burguesia.

A família é o tema da última parte do livro. No primeiro capítulo, o autor acompanha o processo de constituição da família moderna através da iconografia, concluindo que o sentimento moderno de família era desconhecido na Idade Média, surgindo nos séculos XV e XVI, para exprimir-se com vigor definitivo no século XVII. Nascida na burguesia, essa nova concepção da vida conjugal se difundiu no restante da sociedade a partir do século XVIII. Ariès critica os historiadores que concebem a família conjugal moderna como conseqüência de uma evolução que no final da Idade Média teria enfraquecido a linhagem. Referindo-se às pesquisas de Georges Duby observa que a relação entre linhagem e família é mais complexa. A estrutura familiar é marcada por movimentos de dilatação e contração que acompanham as modificações da ordem política: em geral quando o Estado se fortalece, os laços de sangue se afrouxam. O sentimento de família se constrói em torno da família conjugal; a grande família patriarcal é uma invenção dos moralistas do século XIX. 

O segundo capítulo trata da aprendizagem, que consistia no costume de enviar as crianças para outras casas para serem educadas através da prática do convívio social e do aprendizado das tarefas domésticas. A substituição dessa instituição pela escola coincide com a valorização dos laços afetivos entre pais e filhos e com a nova moral pregada pelos educadores.

A nova concepção arquitetônica das casas vai, como já referimos, isolar, a partir do século XVIII, a família da promiscuidade da vida coletiva, estreitando os laços entre seus membros. A família passa a excluir os criados, clientes e amigos de sua convivência quotidiana. Paralelamente se dá o progresso da idéia de higiene. Portanto, até o século XVII, a vida é vivida em público, a família conjugal se mistura à multidão, onde se dá a socialização da criança, é no século XVIII apenas que esse quadro se modifica dando origem à nossa concepção moderna de família.

Na conclusão final do livro, Philippe Ariès caracteriza a família moderna como fenômeno de origem burguesa, fazendo a relação entre o sentimento de família e o sentimento de classe. Observa que no mundo moderno as famílias e as classes se aproximam por sua semelhança moral e identidade de gênero de vida. Ao contrário, o antigo corpo social englobava a maior variedade de condições sociais, que eram mais distinguidas e hierarquizadas quanto mais se aproximavam no espaço. As distâncias morais supriam as distâncias físicas e o rigor dos sinais exteriores de respeito e diferenças de vestuário corrigiam a familiaridade da vida em comum. As pessoas viviam em estado de contraste e a diversidade do mundo social era aceita como dado natural. Mas houve um momento em que a burguesia não suportou mais a pressão da multidão nem o contato com o povo e organizou-se à parte: a justaposição de desigualdades pareceu-lhe intolerável. A nova sociedade burguesa passou a assegurar a cada gênero de vida um espaço reservado cujas características deviam ser respeitadas.

Para Ariès, "o sentimento de família, o sentimento de classe e talvez, em outra área, o sentimento de raça surgem portanto como as manifestações da mesma intolerância diante da diversidade, de uma mesma preocupação de uniformidade".

L'Enfant et la Vie familiale, sous l'Ancien Régime, além de possuir, como já indicamos, importância fundamental para os que trabalham em História Social, constitui um texto fascinante para o leigo. A riqueza das fontes, o resgate da vida quotidiana, o cuidado em evitar anacronismos num tema tão subjetivo e finalmente, a historização de sentimentos comumente vivenciados como eternos, tornam a obra fonte de prazer e conhecimento para qualquer leitor.  Sentimos, no entanto, ao longo de seus capítulos, a ausência de um arcabouço teórico que sustentasse e esclarecesse melhor a relação que faz entre criança, família, escola e burguesia. Faltou, a nosso ver, inserir essa relação num movimento mais amplo de transformação estrutural da sociedade francesa entre os séculos XVII e XIX. Apenas a simples referência à burguesia como origem dessas mudanças verificadas a nível das• mentalidades e das práticas sociais quotidianas, não é suficiente como fator explicativo. Lamentamos, nas análises de Ariès, a ausência de dois elementos essenciais: a questão do trabalho e a da constituição do Estado burguês, com seus novos mecanismos de controle social.

Desse modo, Ariès acaba por fornecer informações da maior importância para a compreensão do movimento global das sociedades, sem fazer, ele próprio, as articulações teóricas que permitiriam explicá-lo a partir da questão que escolheu como ponto de observação.


O Desaparecimento da Infância - Neil Postman

Resenhas • Ciênc. saúde coletiva 12 (5) • Out 2007 • https://doi.org/10.1590/S1413-81232007000500038   COPIAR

O desaparecimento da infância

Ceci Vilar Noronha


RESENHAS BOOK REVIEWS

Ceci Vilar Noronha

Socióloga, Doutora em Saúde Pública, Universidade Federal da Bahia

 


Postman N. O desaparecimento da infância. Tradução: Suzana M. de Alencar Carvalho e José Laurentino de Melo. Rio de Janeiro: Graphia; 2005. 190 p.

O crítico social Neil Postman, professor titular do Departamento de Comunicação, da Universidade de Nova York, escreveu vários livros focalizando as relações entre os meios de comunicação e a educação. A obra que vamos comentar foi lançada nos Estados Unidos, em 1982, e reeditada em 1994. No Brasil, a publicação teve o mesmo destino, após ser lançada em 1999, foi reimpressa em 2005. Concluímos que esta obra é um sucesso editorial porque nos instiga a pensar nos deslocamentos que a idéia de infância vem passando e, ao mesmo tempo, nos paralelismos que o autor estabelece entre tecnologia de comunicação, consciência, valores culturais e sentimentos. Composto em duas partes, a primeira trata da construção social da infância, retomando a linha dos estudos sobre os costumes, uma senda traçada por Norbert Elias, Ariès Philippe e outros, e a segunda expõe a tese do desaparecimento da infância. No prefácio à nova edição, o autor reafirma a mesma tese e se declara impotente em apontar saídas para interromper a tendência por ele identificada. Sendo reconhecida a veracidade do prognóstico, vamos aos seus argumentos. Neste sentido, o termo desaparecimento deve ser colocado entre aspas porque expressa que as crianças estão se tornando seres adultos precoces ou pseudo-adultos. O fio condutor da argumentação recupera as semelhanças e distinções entre crianças e adultos no que tange ao vestuário, a linguagem, as atitudes e os desejos, em diferentes contextos históricos.

No esforço de demonstração da sua tese, o autor nos dá exemplos da transformação da infância na contemporaneidade, entre os quais, o início aos 12 anos da carreira de modelo. Ocupação ligada indissoluvelmente à venda de mercadorias, ao exercer esse papel, a criança torna-se um símbolo erótico, tal como as mulheres adultas que se dedicam à mesma atividade. No entanto, esse limite etário pode ser menor, como no caso da modelo estadunidense JonBenet Ramsey, assassinada, no auge da fama, aos seis anos. Outro exemplo é o aumento dos crimes cometidos por adolescentes menores de 15 anos, cuja punição se faz com penas idênticas às que são atribuídas aos adultos. Ainda podemos acrescentar os atos violentos ocorridos com freqüência no ambiente escolar, seja nos países ricos ou pobres do hemisfério ocidental. Os jogos infantis também mudaram substancialmente, tornando-se mais semelhantes ao gosto dos adultos. Com a habilidade de quem articula vários fios dispersos e de natureza distinta para compor um único tecido, o autor enfatiza a queda das barreiras ou dos limites entre o mundo dos adultos e das crianças.

O percurso argumentativo inclui a recuperação dos sentidos atribuídos à infância nos grandes períodos históricos. Deste modo, o lugar da criança na sociedade da Antiguidade clássica pouco se sabe, mas assinala-se que entre os gregos e os romanos se desenvolveu uma concepção de educação. Nesta época, surgiram interditos na convivência entre adultos e crianças, ou seja, restrições do que falar e como proceder na presença das crianças, indicando a existência do sentimento de vergonha. Este descortinar de uma atenção diferenciada dos adultos para com os imaturos, no entanto, se perdeu durante a Idade Média. E, após as invasões bárbaras, houve também uma retração do hábito da leitura, dos propósitos da educação e mudanças de postura dos adultos em relação às crianças.

Deste modo, no período medieval, as crianças eram adultos pequenos; estes só não estavam prontos para a guerra e para manter relações sexuais. Predominava no ambiente doméstico uma intimidade considerada hoje como promíscua entre os adultos e entre eles e as crianças. Neste ambiente, era praticado sem censura o hábito dos adultos brincarem com os órgãos genitais das crianças. A mudança deste hábito só veio a ocorrer na Modernidade por força do avanço do processo civilizatório, que compreende o exercício do autocontrole da pulsão sexual por parte dos adultos e atitudes discretas em relação ao sexo na presença dos jovens.

Ao longo da Idade Média, o autor assinala que só a partir do século XVI começaram a ser impressos livros relativos à criação de filhos e orientações dirigidas às mães. E vale lembrar as altas taxas de mortalidade infantil do período em que se combinava analfabetismo e falta de um conceito de educação. O primeiro livro pediátrico em língua inglesa foi publicado em 1544, antecedido por publicação similar na Itália em 1498. Tais acontecimentos expressam a instituição da idéia de que as crianças são seres frágeis que necessitam de proteção por parte dos adultos. O autor assegura que a construção social da infância levou aproximadamente duzentos anos para se firmar como um valor socialmente compartilhado.

Entrelaçada com estas mudanças, o autor nos trás uma reflexão sobre os limites temporais da infância: como estabelecer os limites de passagem do mundo infantil ao adulto? Para Rousseau, um filósofo dedicado ao tema da educação, o desenvolvimento do hábito da leitura, que se consegue por volta dos sete anos, significa o fim da infância e o ingresso na idade adulta. Para a Igreja Católica, o marco dos sete anos vale como a idade da razão, o saber discernir entre o certo e errado, ou a virtude e o pecado. O Estado brasileiro também utilizou a idade dos sete anos para o ingresso no sistema educacional público.

Para além da idade, o que mais diferencia a criança do adulto? O conhecimento de certas facetas trágicas da vida como as guerras faz parte da experiência dos adultos, mas não do universo infantil. Aí cabe fazer um lembrete sobre a participação dos meninos soldados em guerras civis nos países africanos. Seria esta uma distinção válida apenas para os países ricos e industrializados?

Quanto a isso, o autor reafirma que os significados da infância, longe de expressar apenas uma fase biológica do desenvolvimento humano, são moldados na esfera da cultura. A infância com suas distinções face à vida adulta é um produto cultural, histórico e passível de transformações radicais. Nesta linha de argumentação, a base material para o surgimento da infância e também para o seu declínio está articulada às mudanças nas tecnologias de comunicação, uma vez que esses meios tecnológicos disponíveis passam a modificar a nossa própria estrutura de interesses, a esfera simbólica e o contexto no qual pensamos. Ou seja, à medida que nós consumimos livros, jornais, rádio e televisão (a Internet não entrou nas referências do autor), estamos nos adequando às possibilidades dadas pela comunicação e, simultaneamente, transformando a nossa consciência.

No início da Idade Moderna, a tipografia auxiliou na expansão do conhecimento e instituiu o hábito individual da leitura e esse fato rompeu com a longa tradição de transmissão oral do saber. Essa mudança veio a fundar uma outra etapa no desenvolvimento infantil, significando que após o domínio da linguagem oral, a criança tinha que desenvolver as habilidades para dominar a escrita. Só desta forma ela poderia ter acesso às informações que os adultos dominavam. Neste particular, o autor reconhece que a infância é análoga ao aprendizado da linguagem, conta com uma base biológica, mas não só. Ou seja, aprender uma língua depende de habilidades para partilhar de um universo simbólico.

Como sabemos, a introdução da linguagem escrita veio a demandar longos anos de educação formal das crianças, implicando isso no compromisso dos seus pais. Para o autor, a nova concepção de infância também instituiu a família moderna, com preocupações de apoiar seus filhos por longos anos, sustentá-los e educá-los. Aprender os códigos da leitura e da escrita exige tempo e investimentos afetivos e financeiros. Contudo, mudanças ocorreram na família em todo o século XX, assinalando-se uma crise da família conjugal que passa por dificuldades, inclusive de ordem financeira, resultando em mais horas de trabalho dos pais e na falta de supervisão sobre a prole.

Por conseguinte, uma nova perspectiva de relações entre adultos e crianças começou a se delinear com o alargamento dos meios de comunicação de massa, sobretudo a televisão, cuja linguagem é pictórica, facilmente compreensível, dispensando qualquer aprendizado específico. E são os efeitos não previstos das novas formas comunicacionais que estão fazendo ruir as barreiras entre adultos e crianças. A escola continua existindo, mas perde espaço por utilizar uma linguagem difícil e tradicional. Os jovens, por vezes, se sentem "perdendo tempo" ao freqüentar a escola, ainda que ela demande poucas horas diárias, no nosso país.

Sobretudo, os mistérios em torno do sexo foram sendo desvendados pela televisão e, com as informações acessíveis e fora do controle dos pais, a "adultificação" das crianças tomou impulso acelerado. Um fenômeno correlato ao desvendamento precoce do sexo é o aumento das estatísticas sobre gravidez na adolescência, o que vem ocorrendo na maior parte dos países ocidentais.

Por fim, o autor conclui que há um duplo movimento em que as crianças tendem a se tornar adultos precocemente e os adultos tornarem-se mais frágeis em sua estrutura psicológica e moral, infantilizando-se. Os adultos-crianças podem ser vistos em programas reality show, tão apreciados em nossa sociedade e copiados de estações de televisão estrangeiras. Do mesmo modo, o noticiário "sério" da tevê contribui para abalar na criança a crença na racionalidade dos adultos e faz com que ela coloque em suspeição se conseguirá, ao crescer, ter controle sobre a sua própria agressividade.

Evidentemente que a velocidade dessas tendências não será a mesma em todas as sociedades ou grupos sociais, mas estão colocadas como desafios atuais. Resta-nos indagar: a quem interessa salvar a infância?


A Invenção da Infância

 














A INVENÇÃO DA INFÂNCIA

 Evelise J. Vincensi Juliana C. Cerutti* 

O filme “A invenção da infância”, um curta-metragem dirigido por Liliana Sulzback, também responsável pelo roteiro e, ao lado de Mônica Schmiedt, pela produção executiva, recebeu 15 prêmios no Brasil e exterior. 

Seguindo um estilo de documentário, o filme contempla diversos depoimentos com o intuito de retratar um desequilíbrio existente e que abala o conceito de infância em diferentes âmbitos, em um mesmo país. Pressupondo que a idéia de infância nem sempre se fez presente na cultura e que foi criada em um determinado período para demarcar uma época tranqüila, perfeita e protegida, diferenciada da vida adulta, o filme vem, pontualmente, revelar que a realidade atual não condiz com tal contexto. 

Denunciando grandes diferenças sociais, apresenta, alternadamente, as realidades extremamente distintas em que as crianças estão inseridas. De um lado, em famílias de baixo poder aquisitivo, o índice de mortalidade infantil é elevado. As crianças que sobrevivem são impelidas a trabalhar para obterem recursos, mesmo que mínimos, para subsistência. De outro lado, famílias com melhores condições financeiras exigem que suas crianças preencham seu tempo com atividades mais referidas aos ideais sociais. 

O que fica marcado não são somente as diferentes incumbências destas crianças, mas também a diferença temporal presente em um mesmo período e país que comporta realidades tão extremas. A invenção da infância se dá na Modernidade. A primeira das realidades referidas anteriormente é situada por Sulzback em uma dimensão temporal Pré-moderna. Não há diferenciação dos encargos adultos e infantis. A morte de crianças parece não causar tanto impacto. 

Nesse “salve-se quem puder” as crianças, como adultos, devem ir em busca de sustento. A segunda, já referida por ela como Pós-moderna, conduz também à mesma questão de não diferenciação; aqui, porém, como uma “evolução” do conceito moderno forçada por algumas transformações, envolvendo principalmente a mídia, e que fizeram com que esses mundos se confundissem novamente. Enquanto algumas crianças precisam comprometer-se com o trabalho expondo-se, muitas vezes, a riscos e perigos de algumas atividades, outras precisam comprometer-se com atividades diversas, que lhe são designadas pelos adultos. São duas faces da mesma moeda, já que ambas, independentemente do mundo em que vivem, são demandadas a responsabilizarem-se pelos seus atos, assim como adultos. 

O filme encerra com a frase “Ser criança não significa ter infância”. Ela remetemos a pensar que aquela época ideal, feliz, isenta de obrigações é cada vez mais utópica e que este tempo diferenciado está sendo invadido por valores pertencentes a um tempo que, se essa diferenciação persistisse, seria posterior. 

 (*) Acadêmicas do 8º semestre de Psicologia da Unijuí e Estagiárias da Clínica de Psicologia

Ver o documentário no link: 

https://www.youtube.com/watch?v=_dImkoR5CHs&ab_channel=JulhoD%27Oliveira




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