quarta-feira, 27 de outubro de 2021

Trabalho Final do Curso

Trabalho Final

Para a finalização da disciplina História da Educação II apresento uma lista de filmes, como referencia para realizar o trabalho final. 

Observem que os filmes abordam de forma direta e ou indireta alguns aspectos dos temas que compõem o programa do curso e ou foram discutidos na sala de aula. A partir da lista elaborada:

1) Selecionem um dos filmes;

2) Eles podem ser encontrados, na sua grande maioria no youtube, ou em plataformas de streaming;

3) Elaborem uma sinopse geral do filme, apresentando: o título, diretor, produção (país), ano, temática e os principais atores e atrizes;

4) Façam uma análise do filme sobre algum aspecto ou dimensão que avaliarem como relevante para produzirem uma análise utilizando a bibliografia do curso;

5) Sintam-se livres para escrever o que considerem pertinente de acordo com as temáticas e discussões realizadas no curso; 

6) O trabalho deve ter no mínimo 4 páginas e no máximo 10 páginas

A lista de filmes é a seguinte:

1) As Sufragistas - 2015;

2) O Pagador de Promessas - 1962; 

3) Nenhum a Menos - 1998;

4) Desmundo - 2002;

5) 12 Anos de Escravidão - 2013;

6) Dr.  Gama - 2021;

7) Adeus Meninos – 1987;

8) Billie Eliot - 2000;

9) Gattaca - 1997;

10) O Jarro - 1992;

11) Quando tudo começa - 1992;

12) Madadayo - 1993;

13) Bicho de Sete Cabeças - 2000;

14) Central do Brasil - 1998;

15) Sarafina: o som da liberadade – 1993;

16) Os Filhos do Paraíso – 1997;

17) A Missão – 1986;

18) Brincando nos Campos do Senhor – 1991;

19) Crianças Invisíveis – 2005;

20) Narradores de Javé – 2003.


terça-feira, 19 de outubro de 2021

MULHERES INOVADORAS NO ENSINO

Mulheres inovadoras


Mulheres e inovação docente (São Paulo e França, nas décadas de 1860 a 1960

O projeto, que integra Faculdade de Educação da USP (Universidade de São Paulo) e universidades francesas associadas à USPC (Université Sorbonne Paris Cité), objetiva a elaboração de biografias de professoras que inovaram a prática docente e que permanecem praticamente desconhecidas ainda nos dias de hoje. A maioria dessas mulheres construiu sua trajetória em sala de aula. Foram professoras de escolas primárias e secundárias em zonas urbanas e rurais, criaram metodologias para o ensino de jovens e adultos ou para alunos especiais. No seu conjunto, estas biografias exibem as múltiplas formas de ser mulher e professora em São Paulo e na França nos séculos XIX e XX. 
 
Conferir no site do NIEPHE (Núcleo Interdisciplinar de Estudos  e Pesquisas em História da Educação.  https://sites.usp.br/niephe/




MULHERES INOVADORAS NO ENSINO

Resenha 
Carolina Cechella Phillipi 

VIDAL, Diana Gonçalves; VICENTINI, Paula Perin. (org.). Mulheres inovadoras 
no Ensino (São Paulo, séculos XIX e XX). Belo Horizonte: Fino Traço Editora, 2019. 290 p.
A composição predominantemente feminina da profissão docente é uma característica facilmente perceptível, sobretudo da educação básica. Segundo o Censo do Professor (2007), cerca de 82% do professorado brasileiro é composto por mulheres. Essa média se mantém no Estado de São Paulo (MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO, 2007). Esses mesmos números foram retomados em matéria do site UOL (HARNIK, 2011), que apresentou as diferentes percentagens dessa característica de acordo com os segmentos de ensino. Destacou-se, nessa investida, a disparidade entre o número de professoras nos anos iniciais do ensino fundamental (82%) e no ensino médio (64%).
Em que pese a produção acadêmica sobre a História e a Sociologia da profissão docente e o seu recorrente foco nas condições de seu desenvolvimento profissional, proletarização2 e profissionalização3 (XAVIER, 2014, p. 830), são de longa data as colocações acerca da ocupação feminina da docência. É nesse esteio que Cláudia Vianna, ao tematizar “O sexo e o gênero da docência” (2001, p. 81-103), assinala para os contornos históricos desse processo. A autora liga a ocupação da carreira pública do magistério por mulheres à expansão do ensino primário público de modo que, já em inícios do século XX, as mesmas são maioria do contingente profissional. A despeito da efetiva publicação de estudos sobre o tema, a autora destaca que a incorporação do conceito de gênero aos estudos sobre a feminização do magistério no Brasil é relativamente recente (Ibidem, p. 87). A mesma destaca sua pouca tematização até meados dos anos 80 e, especificamente no campo de estudos educacionais, a demora na passagem do “feminino ao gênero”, movimento esse já percebido nos estudos sobre o trabalho na década de 90 (Ibidem, p. 88).
Propor uma leitura da profissão docente que problematize sua constituição histórica como profissão predominantemente feminina implica não somente em uma elaboração conceitual condizente. Ela acarreta também na organização e investigação de fontes que, quando inquiridas em meio à operação historiográfica4, permitam apreender aspectos da atuação professoral de mulheres pouco notabilizadas. Foi esse o escopo do projeto “Mulheres e inovação docente5 (São Paulo e França, nas décadas de 1860 a 1960)”, cujos objetivos apreendiam a elaboração de biografias de professoras que inovaram no espaço da sala de aula e cuja atuação foi pouco tematizada na historiografia. Foi apresentado como um de seus resultados a publicação do livro “Mulheres inovadoras no ensino (São Paulo, Séculos XIX e XX), organizado por Diana Gonçalves Vidal e Paula Perin Vicentini, ambas docentes da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (Feusp).
Seu cuidado “estético, epistemológico e documental” é anunciado já em seu prefácio, de autoria de Maria Teresa Santos Cunha, professora vinculada ao Centro de Ciências Humanas e da Educação da Universidade do Estado de Santa Catarina (Faed/Udesc). É também nele que a prefacista destaca a busca sistemática de fontes em arquivos públicos e pessoais para que se fizesse possível a tematização das vidas das dezesseis professoras normalistas ali biografadas. As mesmas são apresentadas em ordem alfabética e são, em grande parte dos casos, ladeadas por fotografias suas ou de sua atuação docente. A opção por sua apresentação conversa com um dos convites que o livro faz, segundo Diana Vidal (VIDAL, 2019, p. 13), ao leitor: o de pensar a importância do registro das práticas. Nesse caso, da prática sistemática de trabalho no magistério.
Para além disso, é também Vidal que, já na introdução da obra, destaca ser sua leitura uma forma de revisitar “inovações pedagógicas pretéritas” (Ibidem). Ele o faz tematizando inserções pedagógicas e educacionais que vão da educação infantil - como é o caso de Alice Meirelles Reis - ao ensino superior, tendo como exemplo a trajetória de Amélia Americano Franco Domingues de Castro. A primeira, ex-aluna da Escola Normal Caetano de Campos e membro de uma família da elite paulistana, ganhou destaque em seus estudos acerca do jardim de infância. Suas práticas foram acessadas através, sobretudo, de fotografias que noticiaram as inovações encampadas em seu espaço de atuação. Amélia, por sua vez, traçou trajetória no ensino superior e auferiu o grau de Doutora em Educação na Faculdade de Educação da USP em 1950 com a tese “Princípios do método no ensino de história”.
A diversidade de iniciativas encampadas pelas professoras assinala também para um vasto leque de atuação. Elas variam das tentativas de integração do “aluno diferente”, protagonizadas por Maria José Tristão Parize6 em capítulo de Paula Perin Vicentini (VICENTINI, 2019, p. 171-200), às propostas de ensino rural de Noêmia Cruz7, apresentadas em texto de Ariadne Lopes Ecar (ECAR, 2019, p. 203-217).
O cuidado conceitual a respeito do uso do termo “inovação” se faz ver a cada artigo. Ele é importante já que, em cada professora biografada, suas inovações ganham roupagens distintas de acordo com sua inserção social, profissional e política. A esse respeito, vale a retomada da definição fornecida por Wiara Rosa Rios Alcântara (ALCÂNTARA, 2019, p. 61-82) ao tratar, em capítulo de título “Botyra Camorim: imagens e memórias da carreira do magistério em São Paulo (1917- 1962)”, das práticas dessa professora normalista formada na Escola Caetano de Campos em 1928. Para a autora, “são aqui consideradas inovadoras as pessoas que se valem da escrita para engendrar um outro lugar de onde falar aos demais professores e à sociedade” (ALCÂNTARA, 2019, p. 70). Assim, é inovadora a atuação professoras que estabelecem um lugar próprio de enunciação. Essa noção resvala, inevitavelmente, na valorização de uma maior diversidade de fontes na iniciativa historiográfica de biografar professoras.
Merece também destaque a análise da trajetória de Carolina Ribeiro, professora paulista que ocupou também cargos administrativos estaduais e municipais. É Rachel Duarte Abdala (ABDALA, 2019, p. 83-96) quem destaca sua inserção em esferas administrativas de gerenciamento da instrução predominantemente masculinizadas. A mesma salienta a importância da análise da rede de relações estabelecidas pela educadora. Para ela, as mesmas foram importantes para alavancar a ascensão na carreira e ampliar inovações encampadas no interior da sala de aula (ABDALA, 2019, p. 85). Assim, são evidenciadas as manobras operacionalizadas por professoras para estabelecimento de uma movimentação funcional e uma trajetória profissional de destaque. A ocupação feminina de postos predominantemente masculinizados é também avultada quando o assunto é a atuação de Noemy Rudolfer, responsável pela chefia de laboratórios de psicologia e reconhecida no campo da psicologia educacional em artigo de autoria de Rafaela Silva Rabelo (RABELO, 2019, p. 221). No caso dessa professora, mereceram destaque as viagens internacionais feitas pela mesma. Elas são consideradas pela autora uma forma de intercâmbio intelectual que influenciou em sua atuação docente.
Em que pese a diversidade das trajetórias apresentadas, os capítulos presentes na edição destacam a diversidade dos percursos e as variáveis que compuseram a atuação política e pedagógica dessas professoras. São, porém, como enunciou Vidal (2019, p. 13) ao introduzir a publicação, notáveis as semelhanças nas atuações e propostas decorrentes de um perfil profissional que também se faz no contato com os pares. Ou, nesse caso, no contato com as pares. Para além disso, a diversidade de manobras faz ver semelhanças nas interdições impostas, sobretudo quanto à ascensão na carreira docente. Faz também pensar sobre a inventividade da ação cotidiana dessas professoras, responsável por contornar privações materiais e profissionais.
Esse último aspecto, porém, é aquilatado sem incorrer na ligação acrítica da profissão docente com uma imagem ligada ao altruísmo e vocação, comumente percebida em jornais e periódicos citados na maioria dos artigos. Nesse sentido, demonstra um cuidado metodológico preciso ao tratar como fonte muitos dos documentos responsáveis pelo endosso de uma interpretação missionária da profissão professora.
“Mulheres inovadoras no ensino” traz consigo o esforço de pensar a inovação no interior da sala de aula. Desloca assim o espaço de produção das renovações educacionais e o aproxima das professoras responsáveis pelo mesmo. Sua leitura traz também a possibilidade de pensar a longa duração de algumas das pautas e práticas do ser e fazer-se professora, conforme destaque de Vidal (2019, p. 12 - 14) já em suas considerações introdutórias.
Por fim, essa leitura da atuação docente em sala de aula faz cruzamentos com demais categorias para entendimento dessas práticas. É então possível pensar os cortes de classe e raça, bem como o papel da religião na formação dessas professoras normalistas. A esse respeito, vale conferir capítulo sobre Olinda Margarotto dos Santos, de autoria de Angelica Pall Oriani (ORIANI, 2019, p. 241-257), no qual a autora retoma os escritos de Rebeca Rogers e Michelle Perrot para tematizar a influência religiosa na educação feminina em países católicos (Idem, p. 245).
A obra, ao convidar o leitor a revisitar inovações pretéritas, desloca o cenário de descrição de análise das práticas educacionais ao valorizar não somente os espaços acadêmicos da formação docente. Nesse sentido, considerar o espaço escolar um ambiente prenhe de pulsantes renovações desloca o eixo produtor de saberes acerca da profissão professora. Coloca então as mesmas como produtoras de práticas, sobretudo de práticas perenes. Isso se dá já que os sentidos que elas empregam às ações cotidianas e aos fazeres em classe são próprios. E é essa especificidade que, aquilatada em dezesseis biografias de mulheres, faz pensar no protagonismo e centralidade da atuação professoral em meio às propostas de mudança e permanência na instrução.

Referências

ABDALA, Rachel Duarte. Carolina Ribeiro: O lugar da mulher na Educação em São Paulo. In: VIDAL, Diana Gonçalves ; VICENTINI, Paula Perin (org.). Mulheres inovadoras no Ensino (São Paulo, séculos XIX e XX). Belo Horizonte: Fino Traço Editora, 2019. 290 p.
ALCÂNTARA, Wiara Rosa Rios. Botyra Camorim: imagens e memórias da carreira do magistério em São Paulo (1917-1962). In: VIDAL, Diana Gonçalves ; VICENTINI, Paula Perin (org.). Mulheres inovadoras no Ensino (São Paulo, séculos XIX e XX). Belo Horizonte: Fino Traço Editora , 2019. 290 p.
APPLE, Michael. Ideologia e currículo. Porto Alegre: Artmed, 2006.
BRASIL. Ministério da Educação. Censo do Professor. Disponível em Disponível em http://portal.mec.gov.br/plano-nacional-de-formacao-de-professores/censo-do-professor Acesso em: 19 abr. 2019.
» http://portal.mec.gov.br/plano-nacional-de-formacao-de-professores/censo-do-professor
CERTEAU, Michel de. A operação historiográfica. In: CERTEAU, Michel de. A escrita da história. Tradução de Maria de Lourdes Lemos Britto de Menezes; Revisão de Arno Vogel. Rio de Janeiro, RJ: Forense Universitária, 2002. p. 65-110.
ECAR, Ariadne Lopes. Noêmia Saraiva de Mattos Cruz e o ensino rural paulista na década de 1930. In: VIDAL, Diana Gonçalves ; VICENTINI, Paula Perin (org.). Mulheres inovadoras no Ensino (São Paulo, séculos XIX e XX). Belo Horizonte: Fino Traço Editora , 2019. 290 p.
ENGUITA, Mariano Fernandes. A ambiguidade da docência: entre o profissionalismo e a proletarização. Teoria e Educação, Porto Alegre: Pannonica, n. 4, p. 41-61, 1991.
HARNIK, Simone. Brasil: 8 em 10 professores da educação básica são mulheres. UOL Educação. Disponível em: Disponível em: https://educacao.uol.com.br/noticias/2011/03/03/brasil-8-em-10-professores-da-educacao-basica-sao-mulheres.htm Acesso em: 19 abr. 2019.
» https://educacao.uol.com.br/noticias/2011/03/03/brasil-8-em-10-professores-da-educacao-basica-sao-mulheres.htm
JAÉN, Marta Esther Jiménez. Os docentes e a racionalização do trabalho em educação: elementos para uma crítica da proletarização do trabalho docente. Teoria e Educação, Porto Alegre: Pannonica , n. 4, p. 74-89, 1991.
NÓVOA, António. Le temps des professeurs. Analyse socio-historique de la profession enseignante au Portugal (XVIII- XX siècle). Lisboa: Instituto Nacional de Investigação Científica, 1987. v. 2.
ORIANI, Angélica Pall. Olinda Magarotto dos Santos (1934-): uma jornada educacional pelo sertão paulista. In: VIDAL, Diana Gonçalves ; VICENTINI, Paula Perin (org.). Mulheres inovadoras no Ensino (São Paulo, séculos XIX e XX). Belo Horizonte: Fino Traço Editora , 2019. 290 p.
RABELO, Rafaela Silva. Noemy da Silveira Rudolfer e a vanguarda da psicologia educacional no Brasil. In: VIDAL, Diana Gonçalves ; VICENTINI, Paula Perin (org.). Mulheres inovadoras no Ensino (São Paulo, séculos XIX e XX). Belo Horizonte: Fino Traço Editora , 2019. 290 p.
VIANNA, Cláudia Pereira. O sexo e o gênero da docência. Cadernos Pagu, Campinas, n. 17/18, p. 81-103, 2001-2002.
VICENTINI, Paula Perin. Quando inovar é incluir: a professora Maria José Tristão Parise e o trabalho de integração do "aluno diferente" (1931-1985) In: VIDAL, Diana Gonçalves ; VICENTINI, Paula Perin (org.). Mulheres inovadoras no Ensino (São Paulo, séculos XIX e XX). Belo Horizonte: Fino Traço Editora , 2019. 290 p.
VIDAL, Diana Gonçalves ; VICENTINI, Paula Perin (org.). Mulheres inovadoras no Ensino (São Paulo, séculos XIX e XX). Belo Horizonte: Fino Traço Editora , 2019. 290 p.
XAVIER, Libânia Nacif. A construção social e histórica da profissão docente. Revista Brasileira de Educação, v. 19, n. 59, out./dez. 2014.

A autora se utiliza do termo para destacar a assimilação da profissão docente à lógica do trabalho assalariado. Para tanto, cita, dentre outros, Apple (2006), Enguita (1991) e Jaen (1991). Conferir: Xavier (2014, p. 838-839).
Para aquilatar esse conceito, Xavier faz uso das delimitações teóricas já apresentadas por António Nóvoa (1987). Destaca, nesse sentido, a relevância da aquisição de um corpo específico de saberes e fazeres típico de um grupo profissional.
Termo utilizado por Michel de Certeau (2002) para caracterizar a atuação do historiador.
O projeto, que integrou a Faculdade de Educação da USP (Universidade de São Paulo) e universidades francesas associadas à USPC (Université Sorbonne Paris Cité). Trata-se de um subprojeto do Núcleo Interdisciplinar de Estudos e Pesquisas em História da Educação (Niephe/Feusp). Para mais informações, conferir: http://www4.fe.usp.br/acesso-rapido4/espacos-de-ensino/nucleo-interdisciplinar-de-estudos-e-pesquisas-em-historia-da-educacao-niephe; http://www4.fe.usp.br/mulheres-e-inovacao-docente-sao-paulo-e-franca-nas-decadas-de-1860-a-1960.
Professora que recebeu destaque pela inclusão de alunos portadores de necessidades educacionais especial em classes regulares no início da década de 1960 (VICENTINI, 2019).
Professora paulista responsável pelo estabelecimento de um programa de ensino rural no Grupo Escolar do Butantan, sendo pra isso designada por Sud Menucci em 1932 (ECAR, 2019, p. 215).



Filme - Silêncio

 ‘Silêncio’-  filme de Scorsese

Roteiro adapta trama criada pelo escritor Shusaku Endo. Porém, um relevante fundo histórico serviu como base para a obra.

Da mesma forma que o protagonista de Silêncio (Silence, 2016) se devota a explicar tudo que lhe acontece com base em sua espiritualidade, o filme de Martin Scorsese também incorpora esse registro de um tom só, e a partir dele o cineasta - que já desenvolve a adaptação do livro de Shusaku Endo há anos - faz um sofrido drama que reitera situações e temas como um mantra.

O livro desencadeou uma ampla discussão no Japão, após sua publicação em 1966, por tratar da perseguição aos missionários católicos no país no século 16. Scorsese tira da equação qualquer referência mais contundente à opressão colonialista da era das navegações, e usa Silêncio, de forma reverente, para repassar o tormento dos portugueses torturados pelo regime local, que prezava pela hegemonia do budismo como a religião oficial do Japão. Andrew Garfield faz o padre principal, Rodrigues, numa jornada para entender o que aconteceu com seu mentor (Liam Neeson), que os locais dizem ter abandonado o cristianismo.

Ator que se entrega aos seus papéis mas frequentemente se escora em gestuais e expressões mais teatrais, Garfield alcança sob Scorsese uma atuação mais comedida e autêntica, e o filme todo depende dele para funcionar. A transformação física de Rodrigues é o fio condutor da trama, que transcorre como uma provação de fé sem nunca deixar de seguir a linguagem das narrativas do catolicismo, particularmente a devoção aos símbolos. Além de iluminar ambientes com um pudor especial, como se todos esses cenários de um Japão rural e às vezes francamente precário fossem potenciais cenários de culto, tocados por Deus, Scorsese se esmera nos planos-detalhes de objetos, cruzes, terços, mãos, toques.

O resultado é um filme que visivelmente pretende se filiar a uma tradição do cinema japonês, de Mizoguchi e Ozu, que Scorsese cresceu assistindo, particularmente na busca de Silêncio por filmar com respeito o sofrimento e a dignidade de seus personagens. Algo nesse esforço parece desperdiçado, porém: o foco na espiritualidade soa bitolado ao condicionar os contextos à jornada do protagonista e minimizar interpretações políticas, e o cuidado de Scorsese para não ofender ninguém pode desapontar quem espera do diretor uma narrativa mais enérgica, tortuosa.

Isso não quer dizer que Silêncio não tenha um impulso minimamente questionador. Depois de realizar alguns longas que colocam em dúvida a confiabilidade do ponto de vista de seu narrador, como Ilha do Medo e O Lobo de Wall Street, Scorsese faz o mesmo aqui, numa escala mais discreta mas não menos intensa, no clímax de Silêncio que resolve a busca de Rodrigues e encerra a trama. Nem isso, porém, deixa de ligar o filme às características do catolicismo, já que duvidar de si mesmo é nas narrativas da Igreja um dos temas mais recorrentes.



















https://www.omelete.com.br/filmes/criticas/silencio-critica

12 Anos de Escravidão

Filme 12 Anos de Escravidão

Em 1841, Solomon Northup é um negro livre, que vive em paz ao lado da esposa e filhos. Um dia, após aceitar um trabalho que o leva a outra cidade, ele é sequestrado e acorrentado. Vendido como se fosse um escravo, Solomon precisa superar humilhações físicas e emocionais para sobreviver. Ao longo de 12 anos, ele passa por dois senhores, Ford e Edwin Epps, que exploram seus serviços.

Luiz Gama - Filme



Luiz Gama 

 Brasil de Fato

https://www.brasildefato.com.br/2021/08/20/doutor-gama-filme-brasileiro-e-selecionado-para-o-maior-festival-de-cinema-negro-do-mundo

O longa metragem brasileiro Doutor Gama foi selecionado para participar do American Black Film Festival (ABFF), maior evento de cinema negro do mundo. O filme nacional está entre as 10 obras escolhidas para integrar a edição que marca o aniversário de 25 anos do festival.

Dirigido pelo cineasta Jeferson De, Doutor Gama conta a trajetória de um dos personagens mais impressionantes da história brasileira. O abolicionista nasceu livre na Bahia, foi vendido pelo próprio pai para pagar uma dívida de jogo, aprendeu a ler e a escrever já adulto e, como advogado, libertou mais de 500 pessoas escravizadas.

Nos cinemas e disponível na plataforma de streaming Globo Play desde o início do mês, o filme vem alcançando reações positivas de crítica e público. A participação no ABFF é mais um ponto de consagração, que abre caminhos para possibilidades como o Oscar e o Bafta.


No Dia do Cinema Brasileiro, a comemoração dá lugar à resistência

Em entrevista para o Brasil de Fato, Jeferson falou sobre a seleção em primeira mão (ouça a conversa na íntegra no tocador de áudio abaixo do título desta matéria). Emocionado, ele celebrou: "Recebi a notícia ontem. Ainda estou com os olhos brilhando". Para o cineasta, a seleção indica interesse em uma história que precisa ser contada.

"É algo muito grandioso, porque a comunidade negra americana está pressionando o Oscar há muito tempo. Chegar lá com um filme brasileiro e preto neste momento é muito importante". O diretor completa "Eles estão de olho na gente. Eles querem saber - quem é esse tal de maior abolicionista brasileiro, que a gente nunca ouviu falar?".



Vida de filme, mas vida real

Luiz Gama é dono de uma história surpreendente, que deixa no chinelo a trajetória de qualquer super herói ficcional. Ele era filho de Luísa Mahin, mulher africana, livre e que participou ativamente de levantes negros e negras na Bahia.

"Em 1837, depois da revolução do dr. Sabino, na Bahia, veio ela ao Rio de Janeiro, e nunca mais voltou. Procurei-a em 1847, em 1856 e em 1861, na Corte, sem que a pudesse encontrar. "afirma o próprio Gama em carta ao jornalista e amigo Lucio de Mendonça, datada de 1880.

Aos dez anos de idade, Luiz Gama foi vendido pelo próprio pai, levado de barco ao Rio de Janeiro e comprado por um contrabandista. Com um grupo de mais de 100 pessoas escravizadas, atravessou a muralha natural da Serra do Mar, de Santos a São Paulo, a pé.

A história por trás de Luiz Gama, lutador contra o Brasil escravocrata

Foi na capital paulista que ele cresceu, servo na casa de uma família branca. Aprendeu a ler e a escrever já adulto, frequentou aulas de direito como ouvinte na Universidade de São Paulo (USP), conseguiu licença para atuar, mesmo não matriculado oficialmente e, dali, partiu para os tribunais.

"É uma criança, que nasceu livre. Ele foi vendido pelo próprio pai, comercializado como coisa, produto, objeto", conta Jeferson De. O diretor, no entanto, afirma que a vida de Luiz Gama não cabe no conceito de herói.

"Eu tinha a impressão de que eu estava fazendo um filme sobre um super herói e toda hora eu tinha que me corrigir. Eu falava - não é um super herói, esse é o Luiz Gama e essa é a luta de Luiz Gama, que provavelmente foi a luta de muitas pessoas", conta Jeferson.

Como combater um mundo estreito e repleto de violência

O cineasta quer muito mais que o registro dessa jornada em filme. Para Jeferson, Luiz Gama precisa ser reconhecido e chegar a todos, às "quebradas" inclusive. "É a nossa história, é como resgatar a história de um parente, de um avô. Para mim tem esse lugar, eu, como homem preto, fazendo um filme sobre um ancestral".

Das palavras de Jeferson vem a certeza de que, no Brasil de hoje, conhecer, celebrar e destacar a figura de Luiz Gama são atos de absoluta relevância. "Ele tem uma importância para nós negros, mas ele tem uma importância para esse Brasil que a gente se quer, república, um Brasil livre, com a participação de todos."

Edição: Vivian Virissimo


sexta-feira, 10 de setembro de 2021

Programação da Semana da Educação - FEUSP

 Pessoal, bom dia.

Estão todos(as)  convidados(as)  a participar da Semana da Educação da Faculdade da Educação que irá acontecer durante os dias 29 de Setembro a 01 de Outubro de 2021.

Confiram o link https://www.se-feusp.online/programa%C3%A7%C3%A3o

Um forte abraço

quarta-feira, 1 de setembro de 2021

Os intelectuais e a Infância

Os intelectuais e a infância

Pessoal, estou publicado a resenha que produzi sobre este livro, vejam as referencias que abordei na aula de hoje.




RESENHAS
OS INTELECTUAIS NA HISTÓRIA DA INFÂNCIA

Marcos Cezar de Freitas, Moysés Kuhlmann Jr. (orgs.) São Paulo: Cortez, 2002, 503 p. Os Intelectuais na história da infância, obra organizada por Marcos Cezar de Freitas e Moysés Kuhlmann Jr., traz contribuições relevantes e muito significativas para o campo da história da educação e para a história da infância brasileira. O projeto desse grande dossiê já havia sido anunciado quando foi publicado, em 1997, um outro livro de igual importância, sob o título de História social da infância no Brasil. Essa publicação abriu caminhos para uma reflexão articulada, no país e fora dele, a respeito do entretecer de ideias, concepções e representações que, nos últimos séculos, têm acompanhado interpretações socialmente produzidas e divulgadas sobre a criança em suas singularidades, influindo nas políticas relacionadas ao atendimento de suas necessidades. No livro, Os Intelectuais na história da infância, autores brasileiros e estrangeiros foram convidados a continuar a construção dessa trama de ideias, com o objetivo de trazer ao leitor momentos particulares, nos quais o trabalho intelectual transformou os temas criança e infância em objetos de ciência, produzindo inúmeras obras de referência sobre esse tema. Trata-se de uma coletânea produzida por autores convidados do Brasil, Argentina, Portugal e Estados Unidos.
Para que o leitor possa ter maior visibilidade desse importante dossiê sobre a história da infância, apresento a seguir as principais questões abordadas nos diferentes textos. O Desencantamento da criança: entre a Renascença e o Século das Luzes, de Carlota Boto, dialoga com partes do repertório da história das ideias pedagógicas, tendo como referência a reflexão bibliográfica corrente no campo da história da Filosofia da Educação. O ponto de partida desse estudo é o pensamento renascentista sobre a criança, abordando, em seguida, aspectos da pedagogia jesuítica e também da contribuição de dois teóricos clássicos do pensamento pedagógico dos séculos XVII e XVIII: Comenius e Rousseau. É nesta demarcação que a autora busca compreender a apropriação que a modernidade produziu sobre a categoria infância, em que crianças foram transformadas em alunos, o que, conseqüentemente, gerou diferentes maneiras de se compreender o campo de estudo da educação.
Educando príncipes no espelho, de João Adolfo Hansen, traz contribuições significativas para compreender como os filhos da nobreza foram educados na Idade Média. O autor trata do a priori, doutrinário de algumas categorias institucionais que ordenam o modelo ético-político do príncipe prudente em um gênero didático muito ativo nessa educação, o espelho de príncipe, conhecido na Idade Média como speculum, ou specula Principum. Analisa também seu objetivo de apresentar um conjunto de virtudes cristãs que deve servir de orientação para a educação de um bom governante.
Ana Luiza Bustamante Smolka, em Estatuto de sujeito, desenvolvimento humano e teorização sobre a criança, discute as condições de produção sobre o desenvolvimento infantil. Muito mais do que historiar ideias, a autora propõe-se a fazer uma análise dos modos pelos quais determinadas questões e saberes foram formulados sobre a educação infantil. São destacados três autores do século XX, cujas ideias causaram grande impacto, a saber: Henry Wallon, Jean Piaget e Lev Vygotsky. Smolka situa os autores analisando as condições históricas e sociais que conformaram a produção de seus pressupostos teóricos. Nesse sentido, procura entretecer aquilo que se pode chamar de herança cultural e de ambiência cultural dos autores, discutindo suas posições, perspectivas e opções.
A Linha vermelha do planeta infância: o socialismo e a educação da criança, de Paolo Nosella, faz um panorama histórico das principais contribuições teórico-práticas da tradição socialista para a educação da criança. O texto foi construído em três partes: o socialismo utópico; o socialismo científico; o socialismo investigativo. A primeira parte abrange o período que vai da Revolução Industrial até a publicação do Manifesto comunista. A segunda abrange o período que vai da publicação do Manifesto comunista à ascensão de Stálin, caracterizado pelo socialismo científico. A terceira e última parte compreende o período que vai da divulgação dos textos de Gramsci aos dias de hoje, denominado socialismo investigativo.
A Infância no discurso dos intelectuais portugueses do Antigo Regime, por Antônio Gomes Ferreira, apresenta inicialmente uma crítica às pesquisas que interrogaram e analisaram as sociedades tradicionais, algumas vezes de forma precipitada, a partir de informações de materiais disponíveis e com um certo olhar contemporâneo. Apesar dessa crítica, o autor não nega a contribuição de alguns pesquisadores que interpretaram a indiferença dos adultos diante da infância até o século XVIII. O enfoque principal desse texto situa-se no século XVIII, no Antigo Regime, em Portugal, num tempo de mudanças, marcado por dualismos tanto na produção de conhecimentos na esfera cultural e socioeconômica quanto nas esferas científico, médico, sanitárias e pedagógica. A educação das crianças passa então a ser alvo dos intelectuais, médicos e pedagogos portugueses e também da administração pública, que querem assegurar a eficiência do governo. O autor mostra, ainda, como a infância deixou de ser uma etapa interpretada a partir do discurso religioso, para passar a ser interpretada à luz do pensamento laico. Nesse sentido, as crianças passam a ser educadas a partir dos interesses dos adultos e em função das exigências da sociedade vigente.
Simón Rodríguez, mestre de primeiras letras e as ideias sem fronteiras, de Maria Ligia Coelho Prado, tem por tema a trajetória deste personagem histórico e sua contribuição inovadora para a educação venezuelana. A autora busca responder a duas questões centrais que se articulam à idéia do obscurantismo do mundo colonial hispano-americano. A primeira delas consiste em como relacionar a trajetória do professor Simón Rodríguez com essas imagens congeladas? A segunda, como foi possível a um rapaz sem recursos, que não frequentou a universidade, que apenas estudou na escola por ele mesmo criticada, entrar em contato com as novas ideias e transformá-las em um projeto de intervenção social? (p.201). Maria Ligia Coelho Prado conclui que o percurso e as ideias de Rodríguez põem em dúvida a visão de uma sociedade colonial fechada em si mesma. Isto porque a autora observa na sua principal produção escrita, Reflexiones, uma apropriação de correntes filosóficas e educacionais diversas, fruto da convivência de ideias sem fronteiras, que circulavam a despeito das dificuldades da censura religiosa e do poder da Coroa.
Os Pedagogos lancasterianos e a infância, de Mariano Narodwski, introduzem o método lancasteriano e sua vulgarização de norte a sul das Américas. De maneira específica analisa como este método chegou até Buenos Aires, nas primeiras décadas do século XIX, a partir da incorporação de dois estrangeiros na gestão da política educacional
Argentina: o britânico James Thomson e o espanhol Pablo Baladía. Analisa, ainda as singularidades das relações entre infância, disciplina do corpo infantil e o método mútuo (Lancaster) como elementos que influenciaram de maneira definitiva o processo de escolarização nesse país.
Em, Escolarização da infância brasileira: a contribuição do bacharel Bernardo Pereira de Vasconcelos, Luciano Mendes de Faria Filho e Zeli Efigênia Santos de Sales, analisam o momento posterior à proclamação da independência do Brasil, como um dos mais importantes da história do processo de escolarização da infância. Para fundamentar esta afirmação destacam dois motivos. O primeiro refere-se ao discurso fundador produzido acerca da escolarização no Brasil, formalizado pela produção de leis, atualizando no Brasil uma tradição Ibérica. O segundo motivo diz respeito à produção desse discurso fundador por um importante sujeito da nossa história educativo-cultural, o bacharel. A partir dos debates produzidos por esses bacharéis, nos anos 20 e 30, do século XIX, a educação escolar da infância passa a ser objeto de atenção da sociedade em geral, e dos legisladores em particular, demarcando um tempo de submissão e constituição de novos sujeitos, o aluno.
A obra de Francisco Adolfo Coelho (1847- 1919), que tomou a criança e a educação portuguesa como sua preocupação maior, deixou uma rica obra de ideias e propostas pedagógicas. Esse é o tema do texto A educação infantil na obra de Francisco Adolfo Coelho, de Rogério Fernandes, que examina a frequente presença dos intelectuais ou políticos portugueses em algum tipo de intervenção na área da educação e na instrução pública, no século XIX, em Portugal.
Modificar com brandura e prevenir com cautela: racionalidade médica e higienização da infância, de José G. Gondra, procura examinar as representações de infância produzidas e divulgadas ao longo da formação médica no Brasil, no século XIX, e incluídas em discursos formulados no início do século XX, especificamente nos do Dr. Moncorvo Filho. O autor analisa o que permanece e o que desaparece da norma médica no que diz respeito às representações sobre a infância, destaca ainda as preocupações e os controles exercidos por esses profissionais sobre casamentos, abortos, infanticídios e sobre a infância pobre.
A Psicanálise aplicada às crianças do Brasil: Arthur Ramos e a criança problema, de Eliane Marta Teixeira Lopes, analisa como esse importante intelectual da época aderiu à psicanálise freudiana e a utilizou de maneira aplicativa na educação brasileira nos primeiros anos do século XX. Além das ideias de Freud, a autora aponta a efervescente circulação e debate de ideias, provenientes principalmente da Europa, no meio intelectual brasileiro.
O artigo Da Idéia de estudar a criança no pensamento social brasileiro: a contraface de um paradigma, de Marcos Cezar de Freitas, apresenta o percurso de uma ideia de infância produzida pelo intelectual sergipano Manoel Bomfim, nas primeiras décadas do século XX. A concepção de criança de Bomfim foi atualizada no decorrer de sua trajetória profissional, tornando-se pública por meio de seus discursos e pela edição do livro de sua autoria, Cultura e educação do povo brasileiro, em 1932. Ao analisar os estudos de Manoel Bomfim o autor elucida o contexto no qual suas ideias foram produzidas e o ceticismo desse intelectual diante das possibilidades da psicologia experimental de oferecer conhecimento científico sobre a criança e seus processos de aprendizagem.
Pedagogia da Escola Nova, produção da natureza infantil e controle doutrinário da escola, de Marta Maria Chagas de Carvalho, analisa as representações sobre a criança contrapostas na polêmica da escola ativa que lhe é contemporânea e sua refração em estratégias de formação de professores capacitados a realizar a nova escola (p.375). A autora destaca o fato de o movimento da Escola Nova no Brasil só ter chegado nas primeiras décadas do século XX, diferentemente da Europa, onde surgiu como crítica de um modelo escolar plenamente instituído. No Brasil, esse movimento, além de tardio, chega em um contexto inversamente oposto, uma vez que o sistema público de ensino ainda estava em processo de implantação.
Oscar Thompson na Exposição de St. Louis (1904): a exhibit showing ‘machinery for making machines, de Mirian Jorge Warde, focaliza a Exposição Universal de St. Louis, realizada em 1904, nos Estados Unidos. Para a autora, a importância desse episódio para a educação brasileira reside no fato do então diretor da Escola Normal da Capital de São Paulo, Oscar Thompson, ter visitado e adquirido uma série de livros que se tornaram significativos no contexto da instrução pública paulista das primeiras décadas republicanas. Além disso, a autora apresenta como os americanos, nessa exposição, deram a impressão de que a nação poderia inventar e reinventar o homem. Nesse sentido, um dos principais destaques de St. Louis foi à classificação das matérias adotadas, na qual a educação ocupa o topo da hierarquia.
O último texto desta coletânea, A Circulação das ideias sobre a educação das crianças: Brasil, início do século XX, de Moysés Kuhlmann Jr., aborda o Congresso Brasileiro de Proteção à Infância CBPI e o 3º Congresso Americano da Criança CAC, ambos realizados no Rio de Janeiro, em 1922, e tem por objetivo analisar como os diferentes setores sociais daquele período apropriaram-se das ideias da educação das crianças em suas tensões e composições.
Maurilane de Souza Biccas
Faculdade de Educação da USP
Publicado -  Cadernos de Pesquisa, n. 117, novembro/ 2002, p.249-252

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